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Porque as pessoas têm medo de fazer apresentações?

Quase todos já sentimos aquele desconforto de estar num palco ou à frente de um grupo de pessoas que está ali para nos ouvir, certo? A garganta seca, o coração acelera, as mãos ficam suadas, as folhas são endireitadas vezes sem conta, os nossos olhos fogem aos olhos dos outros. Enfim, por que razão sentimos medo de falar em público?

 

A amígdala, uma estrutura do cérebro associada às emoções, é a principal culpada, pois é a responsável por regular as respostas de defesa. Segundo este texto da “Harvard Business Review”, é preciso recuar à pré-história para compreender o fenómeno. É que na altura os olhares que miravam os humanos eram tidos como uma ameaça. Eram porventura predadores que rondavam e ameaçavam a existência humana. Aquela gente, que era quase gente como nós, tinha medo de ser devorada. E é aí que entra em ação a amígdala. À decisão que resulta da ameaça (fugir ou lutar) estão associados ainda stress e ansiedade. O cérebro magicou uma maneira de transferir esse medo de ser observado para o ato de falar em público. Ou seja, como diz aquela publicação norte-americana, a ansiedade ao falar em público está no nosso ADN, faz parte de nós. É como se fosse um ataque, uma ameaça à nossa sobrevivência. Por isso, por vezes e dependendo da pessoa, a resposta à ameaça traduz-se em sinais físicos: falta de ar, pele rosada e tremores.



E depois, como o cérebro aciona os alarmes todos para o perigo a que estamos expostos, montamos estratégias de defesa. Lá está, como vimos antes, não olhar nos olhos dos que estão a assistir àquela apresentação, ou perdermo-nos em slides, ignorando totalmente que falamos para alguém. Fica assim criada uma barreira entre o orador e a audiência, o que prejudica a mensagem.

 

Amansar a amígdala, como um bom amigo que diz a outro que está tudo bem, serenando tudo, pode passar por não nos focarmos em nós, mas sim na audiência. Como escreve a “Harvard Business Review, é tempo para aplicar a generosidade humana. Estamos ali para ajudar o público, certo? E, se isso não fosse positivo por si só, é uma estratégia para desligar os alarmes do cérebro: ser generosos e amigáveis com quem nos escuta acalma os tais mecanismos de defesa, mostram vários estudos.

 

Mas há mais soluções. Segundo o livro “Iconoclast”, do neurocientista Gregory Berns, há uma maneira de inibir a amígdala: “Há cada vez mais provas neurobiológicas de que, quando as pessoas reavaliam as circunstâncias emocionais, o córtex pré-frontal fica online e inibe a amígdala”. Traduzindo: a amígdala, a tal parte do nosso cérebro que nos diz que temos de lutar ou fugir, é mais facilmente domada quando reestruturamos os nossos pensamentos internos e transformamos o que é negativo em positivo, explica este artigo da “Forbes”.

 

Aquela publicação norte-americana cita depois um artigo de investigadores da Universidade de Columbia que revelava que é possível “mudar a maneira como nos sentimos mudando a maneira como pensamos”, o que leva à diminuição das consequências e danos emocionais de uma experiência que teria tudo para ser angustiante. Para além de tentar respirar positivismo, há outras maneiras. No futebol antigamente, por exemplo, falava-se em “treino invisível”, que passava por avaliar comportamentos e decisões, imaginar cenários e soluções e ainda levar um estilo de vida saudável. Quem responde a perguntas pode também imaginar o que o outro vai perguntar. Estar preparado, diminuir a imprevisibilidade, permite baixar os níveis de ansiedade.

 


A professora de Psicologia do Human Performance Lab da Universidade de Chicago, Sian Beilock, já demonstrou algumas partidas que a mente prega. Na Ted Talk em cima, esta ex-guarda-redes conta que tremeu e falhou quando, apesar de estar no seu melhor, soube que o selecionador estava por ali. Sabia que estava a ser avaliada e por isso ficou cada vez mais preocupada, concentrada, a pensar no que estava a fazer, quase em slow motion, calculando as consequências de tudo e de eventuais erros. E lembrou que muitas vezes, seja a jogar futebol ou a falar em público ou até numa entrevista de emprego, quando nos preparamos para aquela atividade nunca o fazemos no ambiente real. Por isso, outra vez, os alarmes de perigo e de ameaça à nossa sobrevivência são acionados, pois não estamos habituados ao que estamos a vivenciar ou prestes a vivenciar. No seu livro, “Choke”, explicou que colocamos demasiada pressão em nós próprios e demonstrou que uma apresentação pode ser totalmente destruída “quando preocupações e dúvidas invadem o cérebro”. Mais: “Antecipações de um evento, e especificamente antecipações de outros a julgarem-nos, é suficiente para colocar pressão mesmo antes de se chegar ao palco”.



Agora que sabemos um pouco melhor porque nos sentimos ameaçados quando vamos falar em público, e agora que também sabemos que há uma maneira de contornar ou trabalhar esse instinto de sobrevivência, colocamos de seguida a lista da Inc com 20 dicas para dominar a arte de falar em público: 

-      conhecer a audiência;

-      ensaiar, ensaiar, ensaiar;

-      praticar com distrações;

-      encontrar um estilo;

-      conhecer o ambiente (e o palco);

-      testar equipamento; 

-      praticar em frente a um espelho;

-      usar todas as oportunidades para falar (pode ser um grupo de amigos);

-      praticar linguagem corporal e movimentos;

-      abrandar (apresentações aceleradas transmitem insegurança);

-      fazer contacto visual;

-      saber bem do que falamos;

-      fazer longas pausas;

-      praticar tom e projeção de voz;

-      recorrer a humor e emoções;

-      preparação mental;

-      fazer desporto antes de uma apresentação (para libertar stress e ansiedade);

-      mostrar confiança;

-      não ultrapassar o tempo previsto;

-      pedir feedback.

 

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