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Uma apresentação deve girar à volta de uma ideia. Sabe porquê?

Qual é a pior notícia numa apresentação? Provavelmente aquela que indica que a audiência ficou baralhada, pouco esclarecida ou sem perceber qual era a principal mensagem do orador. Um pitch deve informar, seduzir e esclarecer. Intrigar ou despertar a curiosidade, se quisermos. E há uma técnica simples para o conseguir: escolher uma mensagem principal, uma espécie de slogan, uma ideia que se vai repetindo ao longo da apresentação.

Peguemos no exemplo de um dos gurus desta arte, Steve Jobs. Algo muito útil, eficaz, é escolher-se uma curta frase para descrever ou representar o produto/serviço. Jobs, explica este artigo da “Forbes”, usava a técnica “twitter-friendly headline”, uma frase curtinha que resume o produto e que facilmente entra na cabeça de quem está a ouvir. Certa vez, na apresentação do iPhone, o génio por trás da Apple tinha um slide com apenas esta frase: “Apple reinvents the phone”. Ao longo da apresentação foi repetindo aquela frase, que já não bastava entrar pelos olhos como passou a soar bem ao ouvido. A “Forbes” procurou essa frase no Google e encontrou 25 mil resultados e links, uma grande parte diziam respeito a artigos e blogs que cobriram aquela apresentação. Já não era só Steve Jobs a garantir que a Apple tinha reinventado o telefone como o conhecemos, também a comunidade que navega naquela área já recorria à mesma frase, como que validando tudo. Um sucesso de comunicação portanto.


Esta técnica de colocar o universo da apresentação à volta de uma ideia é útil também para o orador, não só durante o pitch como também na altura de o preparar, pensar e escrever. Quanto menos gorduras, mais foco. É o chamado ir ao osso. Se o tema der liberdade para divagações, a narrativa torna-se muitas vezes selvagem, indomável, imprevisível. É o oposto do que queremos. Um orador disperso ganha uma audiência dispersa, que eventualmente desligará. 

Um erro típico de oradores e facilmente evitável é a antecipação de questões da audiência, respondendo a várias coisas ao mesmo tempo, criando um excesso de informação difícil de gerir. Depois vem a tentação para tornar o assunto ainda mais complexo, às vezes por questões de ego outras porque é o seu jargão, a forma como sempre falou e ouviu, afastando sem perceber quem o está a ouvir. Lá está, mais uma vez, uma ideia, uma mensagem, um slogan, sem gorduras, ajudará a manter o foco no tema. Mais tarde, se vierem as questões, muito bem, tenta-se descodificar o que é necessário. Uma dica: normalmente quando a audiência não percebe algo, a responsabilidade é do orador. Nunca é demais dizê-lo.

 

Um slide, uma mensagem forte. O conteúdo do mesmo deverá ser quase inteiramente visual, sem texto, no limite a tal ideia-chave ou, se houver necessidade de expandir o tema, criar slides com subtemas. O slide acompanha o orador, não o substitui. O objetivo é eliminar o ruído, dar importância à mensagem, ao que se diz, deixando a tal twitter-friendly headline a cintilar pela sala. Voltando a Steve Jobs, o norte-americano contava em média com 40 palavras por slide, embora muitos deles nem 20 palavras tinham. Eram sempre simples, essencialmente para os olhos. Não era tanto uma muleta mas antes um “é isto que somos”. 

Sem esquecer as histórias, claro. “Em 1984, a Apple anunciou o primeiro Macintosh. Não mudou apenas a Apple, mudou toda a indústria dos computadores. Em 2001, anunciámos o primeiro iPod. Não mudou apenas a maneira como ouvíamos música, mudou toda a indústria musical”, disse Jobs no lançamento de um iPhone. A mensagem tinha a virtude de demonstrar o impacto das criações da empresa, localizando-nos no tempo, quase que a funcionar como promessa de estarmos a fazer parte de uma revolução imparável. A mensagem é simples, clara. Vender uma ideia e contar histórias são sinónimos de seduzir o outro, e por isso mesmo deve haver sempre uma mensagem primordial.


Há uma frase atribuída a Albert Einstein que resume todo este tema: “Se não consegues explicar com simplicidade, então não percebes o suficiente do assunto”. Vá, em inglês soa melhor: “If you can’t explain it simply, then you don’t understand it well enough”.

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